sábado, 2 de novembro de 2013

Por que não consumir mel de abelha e seus derivados?

Olá comedores de frutas de plantão. Entro em detalhes em meu livro "Revolução vegana" porque não devemos consumir mel, entretanto, achei bem legal esse pequeno artigo do Leandro, um dos nossos leitores e sua vivência como apicultor! Ai vai!




Relato de Um Ex-Apicultor Artesanal 
por Leandro Petry

Por um período de cerca de 6 anos, participei da extração de mel de modo bem “artesanal”, mas que pouco ou nada difere do modo profissional, uma vez que os equipamentos para tal atividade são baratos e de fácil aquisição. Por período de tempo que não me recordo com exatidão, vi também outras pessoas compartilharem desta prática, sendo que algumas delas a faziam com finalidade comercial. A prática que ainda é vista de maneira passiva quanto ao bem estar das abelhas e, até mesmo, do meio ambiente, de responsabilidade ambiental pouco tem e a compaixão para com os animais, é inexistente. No texto adiante, relato minha experiência com a apicultura no pequeno intervalo em que me encontrei como colaborador da prática.


A fase inicial consiste em acender a brasa dentro do “fumegador”, o material utilizado para a combustão varia, no nosso caso usávamos palha e sabugo de milho triturado na maioria das vezes, mas houve casos em que um pouco de serragem foi adicionado. A fumaça sempre esteve longe de ser suave, muito pelo contrário, era densa e de difícil inalação, tanto que, o mais leve dos ventos, ao carregá-la para próximo de nossos olhos, causava profunda irritação e logo desatávamos a lacrimejar. Para as abelhas então, a menor das baforadas, tombava-as ao chão, onde permaneciam por longo período de tempo, contorcendo-se e, não raramente, acabando por morrer.

Após vestirmo-nos e o “fumegador” encontrar-se apto para o serviço, passávamos a abrir as caixas onde se encontravam as colmeias. Primeiro dávamos uma baforada na abertura por onde as abelhas tinham o acesso do meio interno ao meio externo, e vice-versa, da colmeia para que não saíssem da mesma e nos atacassem. Esse era o nosso “cartão de visitas”, e já ele deixava claro o quão mal fazia a fumaça aos pequenos insetos, pois, a partir daquele momento, tornavam-se muito agitadas e agressivas e alguns indivíduos já eram mortos. Na sequência, a caixa era aberta, logo que isso era feito, mais vezes o “fumegador” era posto em ação, porém agora diretamente sobre as abelhas, as larvas e todas as demais partes da colmeia. O objetivo era fazer com que elas não pudessem voar e, novamente, nos atacar. Não obstante, muitas o faziam, mesmo muito atordoadas e intoxicadas, a maioria delas acabava por cair no chão, onde agonizavam, muitas vezes até a morte.

Depois de toda essa agressão de nossa parte, passávamos a tirar os favos de mel e logo íamos à procura das celas que continham a geléia real e as larvas que dariam origem às próximas rainhas para que matássemos a mesmas, impossibilitando a formação de novos enxames e um possível "enfraquecimento" do atual. Nessa parte, matávamos muitas abelhas, pois esmagávamos muitas com as nossas mãos e com os instrumentos usados na etapa em questão, além das que sucumbiam pela fumaça.

A etapa seguinte era a centrifugação dos favos para a retirada do mel. ela sempre era feita no turno da noite, pois então as abelhas estariam menos agressivas, e assim podíamos nos vestir com roupas “normais” e ficar mais tranquilos quanto às ferroadas. Mesmo tentando retirar todas as abelhas dos favos, muitas ficavam, e eram postas justo no centrifugador, onde, mais uma vez morriam em grande número, fosse por asfixia no próprio mel fosse por esmagamentos nas engrenagens da máquina utilizada.

A extração do mel sempre esteve longe de ser gentil e não causar morte e sofrimento as abelhas. Deveria mais ser caracterizado como um roubo, uma vez que a própria palavra “extração”, ou “retirada”, não tem competência etimológica para designar a falta de valores éticos e morais, principalmente com as abelhas, que precedem a prática da apicultura. Sendo ela realizada com finalidade comercial ou para consumo próprio, em larga ou pequena escala, com ou sem a utilização de fumegador, etc., partilho da minha experiência para afirmar, que NÃO, NÃO É UMA PRÁTICA PACÍFICA E HUMANITÁRIA!


Leandro Petry
Ex-apicultor, ex-piscicultor, ex-pecuarista e ex-avicultor
Hoje Vegano
Lajeado, RS, Brasil
Graduando em Geologia - UFRGS
www.facebook.com/leandro.petry.3 

*Fotos retiradas da internet com exclusiva finalidade de ilustrar os processos descritos no texto. As imagens não foram fotografadas pelo autor do texto.