sexta-feira, 23 de junho de 2017

Leite de vaca x leite materno (aleitamento)


Mais um trecho do meu livro "O veganismo para mães, pais e bebês".



Secreções mamárias de um outro tipo de mamífero não é natural para humanos

 


“Um importante fato a se lembrar e que todas dietas naturais, incluindo dietas veganas sem nem um vestígio de laticínios, contém quantidades de cálcio acima do limite para alcançar suas necessidades dietéticas. Na verdade, deficiência de cálcio causada por insuficiência dietética não é conhecido de ocorrer em humanos”. Dr. John Mcdougal, medico vegano, há mais de 30 anos proponente de uma dieta vegana saudável, mais de 40 anos de prática médica.



É óbvio que até um passado extremamente recente em termos de vida humana na terra, todas as mães tinham que ser extremamente saudáveis e eficientes, para que seus filhos não morressem de fome ou de deficiência, já que, até o período neolítico, seres humanos não haviam domesticado os animais leiteiros (vaca, cabra, camelo, burro etc.). Agora, roubamos o leite deles em função de suprir a incapacidade das mães amamentarem seus filhos até a idade devida, como toda espécie de mamífero o faz, menos o homem. E isto se dá primariamente a nutrição indevida, devido a comida cozida, processada, refinada e industrializada, que, completamente desvitalizada, não fornece as mães os nutrientes essenciais e o bom funcionamento fisiológico que as permitem produzir seu leite. Se mães primitivas, não fossem muito mais aptas de amamentar mais do que apenas uns meses ou um ano, nossa raça teria sucumbido, pois sem apetrechos para cozinhar e amassar os alimentos, os bebês não teriam o que comer.

Não consigo imaginar, mulheres primitivas, relegando sua obrigação maternal a vacas e cabras, por elas serem incapazes de fornecer a quantidade de leite devido, durante o tempo devido. E obviamente antes do fogo e ferramentas, como crianças precisam de dietas ricas em gordura para crescerem, sem o leite materno, não teríamos como naturalmente fornecer a quantidade alta de gordura que a criança necessita durante os primeiros 7 a 8 anos de vida, já que a primeira dentição não facilitaria o consumo de oleaginosas e menos ainda o de carne crua, caso a criança realmente conseguisse comer com gosto ela crua e sem temperos, como ocorreria na natureza.

Como as mães atuais não produzem leite o suficiente, elas recorrem ao leite de outros animais. Ao não possuírem um nutriente, ou possuírem quantidades inadequadas, obviamente, sua criança, em fase de crescimento é quem mais sofre com isso, porque terá materiais pobres e fracos para construir sua estrutura. Como diria o Dr. Shelton, “Uma mãe não consegue produzir seu leite comendo farinhas, açúcares refinados, cerveja, cachorros quentes, hambúrgueres, tortas, cafés etc.”.

Levando em consideração que o ser humano é o único mamífero que se alimenta com leite de outras espécies de mamíferos e continua a “mamar” mesmo na fase adulta, devemos questionar, não há diferenças entre a composição química do leite destes outros grupos de mamíferos em comparação ao nosso? Não temos particularidades bioquímicas que só o leite de uma mãe humana consegue fornecer?

Comparando o leite de vaca que é o mais amplamente consumido por nossa raça, com o leite humano temos diversas diferenças que causam uma amplitude de problemas.



·         Proteína em excesso:

·         Desequilíbrio de vitaminas e minerais:

·         Balanço ácido/alcalino:

·         Desequilíbrio em fatores imunológicos

·         Àcidos graxos essenciais



E sabemos que proteína em excesso prejudica os rins, ainda mais de uma criança, já que ainda não tem seu sistema formado, sendo mais frágeis. O leite de vaca é acidificante, enquanto o materno alcalinizante. Nosso sangue precisa se manter levemente alcalino. O leite de certas espécies como o gamba ou o ornitorrinco é formado por oligossacarídeos ao invés de açúcares simples. Sabemos que não sentimos o gosto do amido (arroz, feijão e batata) em sua forma crua e não temperada, mas sentimos o gosto de açúcares simples, por isso o da nossa é composto de galactose 247.

Leite de vaca contém quantidades insuficientes de diversos nutrientes como ácido linoleico (Ômega 3), zinco, ferro e vitaminas C e E. Contém em excesso alguns como sódio, cálcio e proteína. E diversos destes nutrientes não só são essenciais (precisam ser consumidos), e a falta ou excesso dos mesmos impede o corpo de se manter íntegro e saudável. O que nos faz questionar o que ocorre ao organismo humano ao ser formado pelo leite de outra espécie, com conteúdo nutricional inadequado para a nossa.

As secreções gástricas de bebês humanos são adaptadas para a digestão do leite humano. Não sendo devidamente digerido, sofremos de intolerância à lactose, alergia por proteínas não digeridas etc. O leite humano, assim como o leite da vaca, é rico em fatores imunológicos. O humano contém específicos para o bebê e o da vaca para o bezerro 248, 249.

Leite de vaca, atualmente, é repleto de hormônios sintéticos, antibióticos, POPs, pus e sangue 1103103139442. Primeiramente, vacas são injetadas com o RBGH, (Hormônio de crescimento recombinante bovino) um hormônio de crescimento para incentivar a produção de leite, inúmeras vezes mais que o natural. Além disso, o leite é contaminado por PCBs e dioxinas, sendo ¼ a metade da contaminação da população nos EUA vindo dele. Cólicas em bebês são correlacionadas as proteínas do leite de vaca, até mesmo quando ingerido pela mãe, sendo passado pelo leite dela a criança 268, 269, 270.

Outro problema é que não é possível mais também se conseguir leite de vaca fresco e cru. Hoje, todo o leite consumindo em grandes e até mesmo pequenas cidades é pasteurizado. Com o processo da pasteurização, a indústria esteriliza o alimento, conseguindo com isso um maior tempo de vida nas prateleiras. Mas quanto mais expomos o alimento a altas temperaturas, mais toxinas ali são formadas, muitos nutrientes são perdidos e outros se tornam mais difíceis de serem digeridos e assimilados. Uma das péssimas perdas específicas durante a pasteurização é o ácido fólico, tão frisado na atualidade por pediatras, por sua interação com a vitamina b12 e por causar um grave tipo de anemia 0987743434990, 0987743434991.

Um experimento publicado no “British Medical Journal”, intitulado “O efeito do tratamento de calor no valor nutritivo do leite para o bezerro; o efeito do tratamento e pasteurização com alta temperatura” demonstrou que os bezerros que são alimentados com o leite materno pasteurizado, morriam de nove entre dez casos. Outros provaram que bezerros alimentados com leite pasteurizado sofrem problemas de saúde e tendem a não sobreviver devido à má nutrição 271.

Leite nada mais é que um sistema de sinalização e materiais crus, estabelecido a mais de 160 milhões de anos no período jurássico para o crescimento neonatal. Devido a suas propriedades químicas, induz o organismo a sinalizar para ele próprio, através da secreção de hormônios, que é a hora de crescer, aumentar de tamanho, desenvolver a estrutura, assim aumentando níveis de hormônios anabólicos e complexos de proteínas correlacionados ao crescimento como GH, IGF-1, incretinas (insulina, glucagon etc.), MTORc1 250.

O conteúdo proteíco do leite de cada espécie de mamífero e correlacionado a velocidade de crescimento de sua prole. Neonatos humanos levam 180 dias a dobrar seu peso de nascimento, enquanto bezerros 40. Ratos e coelhos tem o seu conteúdo proteíco mais elevado, pois dobram do seu peso de nascimento em apenas 4 a 5 dias 251. O mais impressionante que o leite materno humano é na verdade o mais baixo dos primatas, possivelmente indicando que nossa necessidade proteíca é mais baixa que a deles, e provavelmente sugerindo uma maior porcentagem de frutas e menor de vegetais.

E não é coincidência que nosso leite é, de todas as espécies, o mais hipo-proteíco, contendo apenas 1.21 gramas de proteína a cada 100 ml e reduzindo ainda mais com o passar dos 6 primeiros meses para 1.14. Em contraste, a proteína do leite de vaca é 3.36 gramas a cada 100 ml, enquanto o do rato é 8.7 gramas a cada 100 ml e o de um coelho 10 gramas. Deixe o leite para o neonato de sua espécie. Não acredite que você foi feito para mamar durante a fase adulta, para o resto de sua vida e que você nunca deveria desmamar. E ainda por cima, a alta quantidade de leucina no leite, estimula a via metabólica mTORC1 (alvo da rapamicina), substância responsável pelo crescimento do organismo como um todo, que se encontra altamente ativa em células cancerígenas 252.

Se tratando do cálcio, uma pesquisa publicada no jornal médico científico Pediatrics, conclui que leite de vaca não melhorava a integridade óssea em crianças. Em outro estudo no American Journal of Clinical Nutrition, o consumo excessivo de cálcio ou de lácteos por adolescentes não prevenia fraturas ósseas. E que mais de 600 mg ao dia, facilmente obtidos por leite e suplementos (americanos chegam a recomendar até mais de 1200) não tem benefícios aos ossos 253, 254, 255.











Conteúdo de leucina por grama total de proteína no leite de várias espécies
Espécies
Aminoácidos totais em gramas por 100 ml de leite
Conteúdo de leucina em miligramas por grama total de aminoácidos

Humano
0.85
104

Chimpanzé
0.92
104

Gorila
1.15
102

Babuíno
1.15
105

Rhesus
1.16
111

Cavalo
1.58
93

Cabra
2.57
96

Llama
2.96
99

Vaca
3.36
99

Porco
3.50
89

Elefante
3.71
98

Ovelha
5.41
90

Gato
7.57
118

Rato
8.69
92

Range: 0.85–8.69 g/100 mL
Mean: 100 ± 8 mg/g protein



Conteúdo de leucina no leite de mamíferos e a taxa de crescimento.

Espécies
Conteúdo de proteína no leite (g/100 mL)
Conteúdo de leucina no leite (mg/100 mL)
Dias para dobrar o peso do nascimento

Rato1
8.7
799
4
Vaca1
3.4
333
40
Fórmula
Infantil (HP)2
3.2
308
?
Fórmula
infantil (LP)2
1.6
154
?
Leite materno2
1.2
104
180

Bodo C. Melnik “Excessive Leucine-mTORC1-Signalling of Cow Milk-Based Infant Formula: The Missing Link to Understand Early Childhood Obesity” Journal of Obesity Volume 2012 (2012), 197653. AS DUAS TABELAS ACIMA SÃO DESSE artigo





A própria academia americana de pediatria não recomenda para crianças abaixo de 1 ano beberem leite de vaca, pois alegam que elas não obteriam quantidades suficientes de vitamina E, ferro e ácidos graxos essenciais. E obtém em excesso proteína, sódio e potássio. E que essa proteína e gordura vindo do leite de vaca é mais difícil para a criança digerir e absorver 256. 

Em uma população com altos índices de diabetes tipo 2, as pessoas que foram alimentadas exclusivamente com leite materno tinham muito menores índices de diabetes que os que foram alimentadas com leite em pó 257. De acordo com pesquisas publicadas em jornais altamente reconhecidos como “The New England Journal of Medicine” e o “American Journal of Clinical Nutrition” a diabetes juvenil ou tipo 1 (DM 1), é fortemente ligada ao consumo do leite e seus derivados 258, 259. Já outra no “Diabetes Care”, alegou que exposição precoce ao leite de vaca aumenta em 50% a chance de desenvolver DM1 260.

Pesquisa na “Nature”, alega que leite de vaca pode enfraquecer o funcionamento do sistema imune de uma criança e levar a problemas de infecções recorrentes 261. Já uma no jornal britânico “Lancet”, sugere: “Em torno de 20% dos bebês sofrem de cólica, gás ou câimbras abdominais. As proteínas no leite de vaca são uma das principais causas destes problemas digestivos”. O leite de vaca contém proteínas alergênicas e indutoras de cólicas, e respostas imunes a proteína do leite são correlacionadas a DM1 e síndrome de morte súbita do lactente 262,263.

Outra no jornal “Pediatrics” sugere que bebês alimentados com leite de vaca após um ano de idade vivenciam 30% de aumento na perda de sangue intestinal e um significante aumento na perda de ferro em suas fezes, o que pode levar a anemia ferropriva (anemia por deficiência de ferro) 264. Tirando o fato que o leite de vaca é pobre em ferro comparado as nossas necessidades e o cálcio e a caseína do leite inibem a absorção de ferro não heme, levando a estes três fatores correlacionarem o consumo de leite de vaca com anemia ferropriva 2235677777656909.

De acordo com a Academia Americana de Pediatria (APA): “Exposição cedo na vida do bebê a proteína do leite de vaca pode ser um importante fator na iniciação do processo destrutivo das células beta (responsáveis por produzirem a insulina no pâncreas da criança) em certos indivíduos”. E logo em seguida, recomendam evitar o consumo de leite de vaca em função de prevenir DM1.

Existem evidências na literatura para sugerir a correlação do consumo de leite de vaca ao diabetes, cânceres (principalmente os sexuais) e doenças cardiovasculares. E ainda por cima sabemos que a grande maioria de adolescentes e adultos da população mundial sofre de intolerância a lactose, que na verdade é algo natural, e não realmente “sofrem”. Mais um bom motivo para fornecer leite materno em abundância a sua criança e a alimentação complementar baseada em alimentos de origem vegetal 265, 266, 267.

Tirando a questão ética de que é roubar o alimento de um bebê de outra espécie. Como você se sentiria sendo escravizada, fertilizada artificialmente a força e 9 meses depois, o seu leite fosse roubado através de tentáculos de metal e seu filho preso em uma caixa e tornado anêmico para ser abatido com apenas 3 meses de idade para se tornar vitela (baby beef)?

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Promoção livros Saúde Frugal

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Queridos leitores, estamos com uma promoção de férias!

Aprenda o que ha de mais recente na ciência nutricional, nutrição vegana e/ou crudivora! E também receitas saudáveis sem glúten ou lactose.

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terça-feira, 20 de junho de 2017

Saúde Frugal - Curso Culinário de Cozinha Vegetariana Naturalista


Eduardo Corassa, do site Saúde Frugal, apresenta o seu próximo retiro:

Ocorrendo sempre em janeiro e julho de cada ano.

Cada módulo é composto de 5 dias úteis, 4 horas de aula culinária com Eduardo Corassa, mais uma hora e meia a duas de prática na cozinha e quatro palestras contendo até duas horas de duração.

Programação repleta de atividades físicas, documentários educativos, bate papo, debates e socialização, café da manhã, degustação das duas aulas culinárias diárias e mais um jantar ou almoço, preparado pelos próprios alunos, totalizando 8 horas por dia aproximadamente.

Em Julho deste ano será apresentado o módulo 2:

Palestras:
- As perdas nutricionais e as toxinas formadas pelo cozimento;
- Frutas e vegetais - O alimento perfeito;
- O frugivorismo na prática;
- Logística e frutas.

Aulas culinárias:
- Leites e queijos vegetais;
- Manteigas cruas veganas e artesanais;
- Sorvetes II;
- Arroz e risoto;
- Wraps e sanduíches;
- Tortas II;
- Pastas, patê, e geleias;
- Festa crua 2

Venham passar 5 dias em imersão aprendendo novos hábitos saudáveis e conhecer pessoas especiais para levar para vida toda!

Te espero aqui no Espaço Saúde Frugal.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Reprotoxinas disfunção erétil e má formação do sistema reprodutor


Trecho do meu próximo livro, O veganismo para mães pais e bebes. Ainda está em fase de produção então podem existir erros. As referências se encontram no livro apenas, então desconsidere os números ao longo do texto.



As reprotoxinas, o perigo invisível





“Quanto mais uma mulher é exposta a estas substâncias disruptoras de hormônios, maior é a chance que seus filhos tenham menores genitais e uma descida testicular incompleta, levando a uma saúde reprodutiva prejudicada ao longo prazo. EDCs (Químicos disruptores endócrinos) são também uma ameaça a fertilidade masculina, já que contribuem ao câncer testicular e uma menor contagem de espermas. Todos esses defeitos de nascença e abnormalidades coletivamente referidas como TDS (Síndrome da Disgenesia Testicular) são ligadas a produção prejudicada de testosterona. ” Dr. Mercola 130, 131.



Muito recentemente, devido a revolução industrial e a produção de cada vez mais produtos industrializados e commodities do mundo moderno, a indústria precisou achar meios de produzir plásticos, papeis, entre outras coisas do dia a dia, mais duros ou mais maleáveis, mais resistentes, etc. Criando inúmeras substâncias químicas derivadas do petróleo, sem realmente testar sua toxicidade a longo prazo e sem entender devidamente sobre cada um dessas centenas de compostos, chamados por diversos nomes, talvez o mais adequado seria compostos similares a dioxina.

            Os Xenoestrôgenos, (estrogênios exógenos, ou seja, que vêm de fora), e seu efeito reprotóxico começaram a ter atenção da comunidade científica devido a droga farmacêutica DES (dietilestilbestrol) por volta dos anos 70. 5 milhões de mulheres grávidas americanas, ingeriram a droga farmacêutica de 1930 a 1970, um xenoestrogênio sintético, prescritas por seus médicos nos EUA, durante mais de duas décadas, para evitar abortos e promover o crescimento fetal. Estudos epidemiológicos realizados nos Estados Unidos correlacionaram o aparecimento de tumores vaginais quase que exclusivamente em filhas de pacientes que utilizaram DES, entre diversos outros cânceres e problemas de saúde, como má formação do sistema reprodutor, alterações nos níveis hormonais 132,133,134,135,136.

A dioxina, o mais famoso xenoestrogêno, é um subproduto da indústria, como resultantes da produção de agrotóxicos, cloro, incineração de dejetos, branqueamento de papel etc. O DDT foi o primeiro pesticida moderno. PCBs é uma substância sintética gerado para aplicações industriais, aparelhos de eletricidade, equipamentos hidráulicos, materiais de construção, plásticos, produtos de borracha, papéis etc. O BPA é um tipo de plástico ou resina epóxi, subproduto da indústria do petróleo, que em prol de ser descartado, foi literalmente inserido em tudo que usamos na atualidade, desde latas de alimentos e bebidas, embalagens plásticas como mamadeiras, lentes de contato, amálgamas dentárias etc. e se desprende das embalagens nos alimentos e bebidas, comprovadamente cancerígeno.  E por último o Ftalato, utilizado como aditivo para deixar o plástico mais maleável. Existem centenas de outras, mas estas são as mais famosas, comuns e estudadas, portanto as quais usaremos como base aqui.

Muitos dos metais pesados também são considerados metaloestrogênios (um tipo de xenoestrógeno, mas como o nome já diz, sua atividade estrogênica vem de metais). Cádmio, alumínio, mercúrio, chumbo etc. são poluentes ambientais produzidos e liberados no meio ambiente por processos industriais. São tóxicos aos órgãos e sistemas do organismo, sendo nefrotóxicos até mesmo sem limite mínimo, qualquer quantidade é tóxica e são ligados a doenças crônico degenerativas, como câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e doenças neurodegenerativas como o Alzheimer 137, 138.

Vacinas (conservante nela, chamado timerosal), peixes, amalgamas dentárias, água contaminada, fumaça do cigarro, desodorantes, madeira tratada, mineração, trabalhos com agrotóxicos, produção industrial usual ou de fármacos, remédios como antiácidos, antidiarreico, alimentos refinados, sal de cozinha, fermento em pó e produtos de panificação, levará a contaminação, e ela é algo muito mais comum do que as pessoas acreditam, e podem ser uma das principais causas de sintomas agudos, como dores de cabeça, irritação, cansaço ou depressão 139. 

Todos estes compostos tóxicos são produzidos de forma artificial, químicos industriais. Não são os fito-estrogênios que ouvimos falar geralmente em artigos e revistas falando sobre nutrição, que na verdade, também são estrogênios externos mas ocorrem naturalmente nas plantas e tem função benéfica no nosso organismo. Os xenoestrogênios sintéticos, são uma série de substâncias tóxicas produzidas pelo homem que confundem os receptores celulares dos estrogênios no organismo, interferindo nas naturais mensagens bioquímicas, ou imitando o hormônio natural ou bloqueando os receptores celulares. Todos podem impactar negativamente a espermatogênese, a ovogênese e todo o funcionamento e formação do sistema reprodutor 140. Entretanto, não mexem apenas com o sistema reprodutor, mas o neurológico, cardiorrespiratório, metabolismo da glicose etc.


Estes compostos têm atividade estrogênica e anti-androgênica, agem como o hormônio feminino e inibem a ação dos hormônios masculinos, o que fornece o desenvolvimento das características femininas e inibe o desenvolvimento das masculinas. Populações inteiras de animais, principalmente os marítimos, vem sendo dizimadas, afetando de uma forma não a curto mas a longo prazo, e de uma forma quase invisível, pois eles não sofrem de sintomas exacerbantes e visíveis, mas se tornam incapazes de reproduzir 141. Já que a diferenciação sexual masculina é dependente da produção e ação dos hormônios androgênicos durante a vida fetal, estes químicos disruptores endócrinos (QDE), alteram a formação das características sexuais de formas que ainda estamos começando a compreender.


Podem até mesmo ser classificados como genômicas ou não genômicas, dependendo de quão diretamente elas interfiram com a expressão gênica do organismo. E para piorar, interações entre diferentes QDEs podem ocorrer, sendo aditivas ou sinergéticas. Quanto maior a exposição, a maior variedade deles, pior será o resultado 142.


Apesar de todas já terem sido proibidas em muitas países do mundo, algumas desde a década de 70, pesquisas mostram que elas permanecem no meio ambiente, devido a levarem até mesmo décadas para se degradarem e como subprodutos da indústria, ao serem liberadas, acabam contaminando o ar, o solo, a água e lagos, animais, florestas etc., por não serem substâncias naturais, não são biodegradáveis e por isso a última letra P de persistente do acrônimo POP, podendo durar dentro de você até 10 ou mais anos. Foram encontradas em altas quantidades no ar e lagos de cidades grandes nos EUA 143. Encontradas em lugares do mundo que nunca foram usadas ou produzidas, como a Antártida.

E essas toxinas, através do processo de biomagnificação, que é o aumento da concentração diária pela exposição e o aumento a cada subida na cadeia alimentar, se tornam cada vez mais concentradas e, portanto, mais nocivas. Elas bioacumulam (acumulam em seres vivos) e bio-magnifícam, aumentando sua quantidade a cada vez que um animal, se expõe a elas, seja pelo ar, água ou comendo seu alimento ou outro animal contaminado.

Para piorar, por serem químicos lipossolúveis, solúveis em gordura, são armazenadas no corpo de qualquer animal exposto a elas. Se comemos da forma usual onívora, no topo da cadeia alimentar, é a forma garantida de ingerir maiores quantidades destes. Apesar de até mesmo a queima de combustível por automóveis produzir dioxinas, 93% da ingestão de um norte americano vem através não do meio ambiente, mas da dieta.  Você vivendo neste mundo moderno não consegue evitar 100% 144, mas ainda assim consegue evitar a grande maioria através de sua dieta.

E sabe qual é a principal fonte desta toxinas, até mesmo do DDT que é um agrotóxico? Errou se falou vegetais, mas sim produtos animais. Sim, leite, queijo, ovos e carnes em geral, contém altíssimas quantidades destas toxinas, enquanto vegetais tem quantidades ínfimas 145, 146 e a segunda principal fonte de contaminação são alimentos industrializados.

Tirando o fato que plantas, com seus poderosos fitoquímicos, conseguem proteger nosso corpo e promover um maior reparo celular e de DNA, de formas que ainda não conseguimos nem imaginar ou cientificamente explicar. Produtos animais ou alimentos industrializados não possuem esses poderosos químicos naturais e talvez também por isso onívoros tem maiores concentrações que veganos que comem uma dieta vegana saudável.

E porque estas toxinas e metais pesados são de relevância para o livro? A criança, através do leite da mãe e no caso do feto é exposta continuamente a elas, pois cruzam a placenta.  

 Podendo causar desde menor peso, problemas de coordenação motora, problemas de memória, menor QI, enfraquecimento do sistema imune e defeitos no sistema reprodutor 147, 148. É tanto que baleias e ursos polares expostos a estes tóxicos se desenvolvem hermafroditas (órgãos femininos e masculinos no mesmo animal), sofrendo de desequilíbrios hormonais como baixa testosterona e se tornando incapazes de reproduzir 149, 150. Cientistas têm encontrado aberrações no sistema reprodutor de animais através do mundo. Já para os bebês homens e futuros pais e ainda para os pais da atualidade, a simples exposição à dioxina durante a fase gestacional ou fase adulta permanentemente prejudica a qualidade do sêmen, diminuindo a famosa contagem de espermatozoides 2004, 2005.

De acordo com a famosa epidemiologista Shana Sawn, com publicações científicas que conseguiram levar o governo americano a banir algumas destas substâncias, suas pesquisas indicam que os filhos das mulheres que tinham múltiplos metabólitos urinários de Ftalatos, eram menos masculinizados, com comportamento menos masculino ao brincar 153, 154, 155. De acordo com a pesquisa, muitos produtos que alegam “Natural” no rótulo, contém ftalatos. Mais ftalatos igual menor quantidade de testosterona durante a formação sexual, altera a diferenciação sexual até mesmo no cérebro.

Dioxinas são atraídas pela gordura e resistentes ao metabolismo, não sendo degradadas ou expelidos. Por não serem biodegradáveis, são transportados pelo ar e meio ambiente através do globo, levando até áreas rurais, isentas de indústria, serem contaminadas por elas, como até mesmo os esquimós 156, 157.

                        A exposição dietética, é responsável por aproximadamente 90% da ingestão de dioxinas e furanos, sendo os alimentos hiper-lipídicos e o topo da cadeia alimentar, as principais fontes de toxicidade 158. De acordo com a WHO (Organização Mundial de Saúde) crianças chegam a ser expostas a 10 ou 100 vezes mais do que o visto como “aceitável”. Esses químicos são muito mais perigosos aos recém nascidos e até mesmo ao feto em formação mais do que aos adultos, devido a estes ainda não terem seu sistema imune e reprodutor formado e por estarem em crescimento, um período de desenfreada divisão e multiplicação celular, são suscetíveis a má formações que carregaram consigo para o resto de suas vidas. E na grande maioria dos casos, a intoxicação por estes compostos passa desapercebida, enquanto o diagnóstico pode culpar problemas genéticos, poluição, idade avançada etc.

Devo lembrar que estas toxinas são cumulativas no organismo, então a concentração no sangue e leite materno deve-se na verdade a anos ou décadas, ao invés de dias e a todo o estilo de vida, não só dieta. Trabalhadores que tenham exposição direta a estes compostos em fábrica, ambiente que mora e até a dieta sendo saudável ou não, todos esses fatores irão interferir.

E da mesma forma que ocorre com as frutas e agrotóxicos, ocorre com o aleitamento materno e os EDCs. Entretanto, apesar da mulher passar estas toxinas para a criança pelo leite materno, estudos mostram que os benefícios do leite materno sobrepõem os riscos associados a exposição a dioxina. Óbvio que o leite materno sem dioxina seria melhor, mas ainda assim, amamente 159,160.

Pesquisadores alemães publicaram pesquisa mostrando que o leite materno de mães vegetarianas na Alemanha era muito menor que suas contrapartes onívoras 161. Outra pesquisa mostrou que vegetarianos consumiam apenas 2% da carga de dioxina comparado a população em geral, principalmente devido aos seus alimentos serem baixos na cadeia alimentar 162.

Um a cada três bebes na California já sofrem de exposição a estes disruptores endócrinos a níveis acima do aceitável 163. Em um estudo americano de 2001, que aborda a concentração de dioxina nos alimentos, mães veganas tinham menores níveis da substância teratogênica e extremamente tóxica dioxina, comparadas as mães vegetarianas ou onívoras 164.

Pesquisas mostram que já foi identificado que eles já afetaram a vida animal em inúmeras áreas do globo, oceano atlântico, índico, rios famosos nos EUA, Espanha etc. entretanto, não sabemos a tamanha extensão e gravidade ainda, na vida animal e na vida humana 165, 166, 167, 168, principalmente pelas indústrias escoarem todos seus dejetos em rios.

Na guerra do Vietnam, os Estados Unidos jogaram propositalmente a arma de guerra chamada por eles de “Agente Laranja”, a qual era feita primariamente de dioxina. Conclusão? Até hoje os lugares ainda contêm concentrações absurdas de dioxina e as famílias das pessoas expostas a 40 anos atrás, levando a degeneração física tremenda de seus filhos. Filhos vietnamitas e dos soldados americanos nascem tortos, com pernas, braços, cabeças fora do lugar, com membros finos demais, de forma extremamente aberrante. Alguns são cegos, mudos, presos a cadeiras de roda, completamente deformados, por essa nojenta arma e principalmente, pelo efeito massivo da dioxina. Estima-se que três milhões de vietnamitas sofreram os efeitos da dioxina e pelo menos 150 mil crianças nasceram com defeitos congênitos. Recomendo caso vocês não tenham compreendido através deste tópico quão nocivo é a dioxina e seus compostos similares, pesquise no Google fotos sobre o nome “Agent Orange children”.

Girinos expostos a um agrotóxico se tornavam sapos hermafroditas, com os testículos contendo ovos 169.  Caramujos fêmeas desenvolvendo pênis 170,171, 172, 173, o que é chamado cientificamente de imposex, a modificação morfofisiológica causada pela exposição a poluentes tóxicos. Se tornando uma anomalia normal por ocorrerem deliberadamente em locais com fluxo constante de navios, devido a tinta antiincrustante utilizada, causar a liberação de TBT e TPT (tributilestanho e trifenilestanho), causar disfunção no funcionamento da aromatase (enzima que converte androgênios em estrogênios). A Dinamarca, em 2006, lançou uma campanha incentivando as futuras mães a não utilizar produtos comuns como cosméticos, higiene, e tudo que contenham esses xenoestrogênios. Quando brasileiros irão ouvir sobre esses assuntos e parar de usar?


E como os POPs são hidrofóbicos e lipofílicos, as frutas, vegetais e outros alimentos hipo-lipídicos, que são à base da dieta vegana, não armazenam estas toxinas, como alimentos de origem animal fazem. É consenso científico que produtos animais, devido à concentração biológica, contêm grandes quantidades desses poluentes ambientais e ocasionalmente sai notícias no jornal, de produtos animais sendo testados com quantidades dessas toxinas muito acima do tolerável sendo vendidos no mercado. Portanto, se você é uma mãe não vegana, por pelo menos 7 anos antes da concepção, provavelmente ainda terá maiores quantidades destes compostos circulando em seu sangue, entretanto, até mesmo uma mãe vegana, tem em menores proporções.

O principal problema, é que não só essas substâncias não são facilmente degradas, as vezes levando décadas, elas descem pelos ralos de nossas pias da cozinha, banheiro, tanque de lavar roupas ou até mesmo pelas privadas, já que muitos farmacêuticos que tomamos, é expelido em nossa urina, e tudo isso que consumimos e usamos industrializados na atualidade vão parar no abastecimento de água da cidade. Apesar de o tratamento da água ser eficiente em remover sujeiras e outros problemas, elas não destroem essas substâncias, que acabam contaminando lagos, rios e a nossa própria água que volta para nossa casa “tratada”. E assim vão se acumulando em nós ao longo da vida, causando danos silenciosos, imperceptíveis, mas que nos alteram de formas que ainda não conseguimos exatamente compreender.

Infelizmente, o homem não tem formas de desintoxicar estes compostos tóxicos similares a dioxina a não ser deixá-lo ser reduzido de acordo com o tempo de meia vida do químico. Mas já para as mulheres é pior ainda, pois elas ao invés de carregarem estes compostos tóxicos, elas passam para seus filhos através da placenta e de seu leite, tornando a gravidez de uma onívora ou até mesmo uma vegetariana, consideravelmente mais perigosa ao desenvolvimento do bebe do que uma mãe vegana.

E apesar de todos esses órgãos e instituições que estabilizam os limites de exposição “seguros “destas substâncias tóxicas no nosso dia a dia, nós higienistas sugerimos que um veneno é um veneno não obstante a sua quantidade. Você não deveria querer nunca entrar em contato com toxinas ambientais criadas pelo homem, não obstante de ser em quantidades toleráveis pelo seu organismo, ou quantidades letais.



Curiosidade:  O sistema endócrino, responsável pela secreção e controle de hormônios, controla o desenvolvimento do organismo como um todo, incluindo o cérebro, o sistema nervoso, sistema reprodutor e até mesmo o metabolismo e os níveis de açúcar sanguíneo. Por esta razão, estes químicos são tão perigosos.

A palavra disruptores endócrinos, sugere que estes químicos exógenos (que vem de fora do nosso organismo) imitam ou bloqueiam os hormônios endógenos (produzidos dentro do organismo) como estrogênio, testosterona, progesterona (por ocuparem seu espaço nos receptores das células), que tem a função de instruir como o corpo deve se desenvolver. Por isso, na infância, afetam pontos críticos da sinalização celular, prejudicando o desenvolvimento e diferenciação das células ocasionando um desenvolvimento sexual errôneo e alterando os controles homeostáticos necessários para se manter um peso saudável através da vida 420, entre outros problemas. São chamados até mesmo na mídia de químicos que causam alteração sexual.

A criança cresce defeituosa, mas só vai se perceber mesmo os danos neurológicos e sexuais, 20 anos depois e sem ao menos saber de onde pode ter vindo a contaminação, já que podem estar na água, nas roupas, nos produtos de limpeza, em mamadeiras etc. e não realmente vemos elas lá ou sentimos o seu efeito nocivo ao tocarmos ou ingerirmos. E de acordo com cientistas, essas mudanças são literalmente irreversíveis em modelos animais, caso a prole seja exposta ainda no útero ou na fase de desenvolvimento.E para piorar, até mesmo exposição a uma parte por trilhão, ou seja uma quantidade muito ínfima do composto.

 Cientistas alegam que não veem mais sangue humano isento destas substâncias. Mesmo que você não saiba, não queira ou não acredite, estas substâncias químicas sintéticas e nocivas criadas pelo homem que a grande maioria nem sabe o nome ou onde são contidas, estão dentro de você neste exato momento e já há décadas bioacumulando em seu organismo inteiro. E infelizmente, estas empresas que produzem materiais que tornam nossa vida mais “prazerosa“ literalmente conseguiram contaminar todo o globo, todo ser vivo no planeta terra.

Repelentes de insetos, carpetes, capas de chuvas, a cobertura de cabos e fios, polidor de unhas, até mesmo o volante e o cheiro de carro novo, bolsas e tubos de soro hospitalar, a marcha e o painel do seu carro, apetrechos sexuais são feitos com xenoestrógenos.

Homens americanos com altas concentrações de Ftalatos na urina, tem maior circunferência abdominal e resistência insulínica 174. Mulheres grávidas expostas aos Ftalatos, por spray de cabelo e outras fontes no trabalho tem até 3 vezes mais chances de ter filhos com doenças no sistema reprodutor como a hipospadia 175.  Bebês em aleitamento materno, são expostos até 20 vezes mais concentrações de dioxinas do que o permitido 176.

E para piorar, já que há algumas décadas ficamos sabendo da toxicidade destes compostos, todos ouviram falar do BPA na mamadeira de criança devido à mídia, a indústria começou a focar em fazer os mesmos produtos com compostos diferentes. Mas se é plástico, é industrializado e provavelmente vai conter substâncias maléficas. A indústria e os próprios órgãos governamentais americanos permitem o uso de inúmeras substâncias questionáveis e pouco testadas, muitas das quais a Europa já baniu. E obviamente, o brasil segue o exemplo americano. Dois novos compostos introduzidos no mercado, para substituir alguns tipos de dioxina, de 10 anos pra cá, ao serem testados, causam hipertensão arterial e diabetes em adolescentes 177, 178. Mesmo que seja “BPA FREE” (isento de BPA), conterá algum composto parecido, similarmente tóxico.

Fica a pergunta, se todos nós temos traços destas substâncias em nossos organismos, e mães que tem maiores quantidades dão à luz a filhos menos masculinizados, causando defeitos congênitos na genitália, reduzindo quantidade e saúde do esperma etc.  e nem sabemos a consequência disso a longo prazo, através das gerações, já que somos na verdade praticamente a 1 geração exposta a estes químicos. O que será do nosso futuro, já que a sociedade se encaminha cada vez mais para uma vida industrializada? Nossos sistemas reprodutores já são danificados, muitas pessoas inférteis, sofrendo de apatia sexual, disfunção erétil entre outros problemas, imaginem a próxima geração. Vale a pena usar commodities da vida moderna e transformar seu filho em um frankstein?